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1898-1900

Governo de um general

Por um ano e meio depois do Tratado de Paris, Porto Rico não teve legislatura nem governador eleito. Teve uma sucessão de generais estadunidenses que respondiam ao Departamento de Guerra em Washington, e o que eles decidiam para a ilha simplesmente se impunha, sem um corpo local com poder para objetar ou emendar.

Algumas mudanças foram administração cotidiana com fio político. O nome oficial em inglês da ilha passou a ser "Porto Rico", uma grafia que ficou no uso federal até o Congresso devolvê-la a "Puerto Rico" em 1932. A moeda também mudou: o peso deu lugar ao dólar dos EUA, uma transição selada formalmente para 1900 que reordenou as transações diárias na ilha quase da noite para o dia.

Outras mudanças foram de fundo, e algumas eram genuinamente progressistas para a época. O governo militar decretou liberdade de reunião, de expressão, de imprensa e de religião, e fixou jornada de oito horas para funcionários do governo, um padrão trabalhista à frente de muitos estados dos EUA de então. Começou um sistema de escolas públicas, estendeu o Serviço Postal dos EUA à ilha e ampliou estradas e pontes sobre rios, obras que tocaram a vida diária mais de perto do que qualquer debate político em Washington.

Algumas reformas tinham mais a ver com controlar a vida pública do que com construí-la. A loteria do governo foi abolida e as rinhas de galo foram proibidas de vez, embora fossem legalizadas de novo em 1933, um giro que mostra o quanto dessa política social inicial foi improvisada e não assentada.

A política não esperou as eleições voltarem. Dois partidos se formaram quase de imediato sob o governo militar: o Partido Republicano, dirigido por José Celso Barbosa, e o Partido Federal Americano, dirigido por Luis Muñoz Rivera. Ambos, de modo notável, apoiavam a anexação ou a estadidade eventual, e não a independência, o que diz algo sobre onde realmente estava a opinião política insular no início dessa era nova.

O governo militar terminou em 2 de abril de 1900, quando o Congresso aprovou a Lei Foraker, vigente em 1.º de maio. Charles Herbert Allen tomou posse nesse mesmo dia como primeiro governador civil nomeado, um título que soa como progresso e, num sentido limitado, era. Sua nomeação ainda não vinha com eleição; os porto-riquenhos não tinham voz sobre quem ocupava o cargo.

Ainda assim, vale nomear o que esse período realmente foi: infraestrutura real e reformas reais, entregues por um governo que os porto-riquenhos não haviam escolhido, no lugar do autogoverno que mal tinham ganho da Espanha meses antes. Progresso e colonialismo, por um ano e meio, ocuparam o mesmo escritório.

Fontes: Historia de Puerto Rico. Congelado 2026-08-22.