2019-07-17 · Economia e política
CPI: o saque aos fundos públicos por detrás do chat
A 17 de julho de 2019, o Centro de Periodismo Investigativo (CPI) publicou uma investigação que situa, por detrás do chat de Telegram do governador Ricardo Rosselló Nevares, uma rede de venda de influências e contratações em plena crise fiscal. Segundo o CPI, o esquema principal e vários secundários com o mesmo modus operandi foram orquestrados a partir de La Fortaleza por allegados próximos do Mandatário e — diz a reportagem — com o seu conhecimento.
No topo do esquema o CPI coloca Elías Sánchez Sifonte (ex-presidente do Comité de Transição, lobista e amigo íntimo de Rosselló), o publicitário Edwin Miranda Reyes e o estratega de imprensa Carlos Bermúdez Urbina. Os três figuram entre os 12 participantes das 889 páginas do chat reveladas dias antes. O modus: plantar pessoal e contratistas em postos-chave de assessoria e comunicações, controlar a informação e partilhar dados privilegiados de contratações em troca de comissões e pagamentos.
Quatro fontes disseram ao CPI que Sánchez, sem contratos diretos registados, colocava clientes em agências e cobrava comissões de até 25% do montante e equalas fixas de até $50,000 mensais. A reportagem documenta intervenções perante Vivienda (cliente AECOM vs. Tu Hogar Renace; o secretário Fernando Gil Enseñat disse que manter Adjusters International poupou $21 million face à proposta da AECOM), Hacienda (cliente GILA), Microsoft (mais de $100 million em contratos na administração; licença AmpliFund por $11 million), Corrección (Carolina Catering, contrato de $300 million segundo fontes) e ASES (concurso Vital ligado a acusações federais contra Ángela Ávila, Fernando Scherrer da BDO e Alberto Velázquez Piñol).
Outras cifras do CPI: pelo menos 65 contratos por $12.6 million ligados a companhias associadas a Raúl Maldonado e o seu filho; Miranda e as suas firmas, mais de $50 million em contratos com 22 agências; Bermúdez (Ojo Creativo), $540,000 em 16 contratos com sete agências; Unidos por Puerto Rico, $41 million em donativos e sob pesquisa federal. CSA Architects & Engineers: $26 million em 10 agências.
Investigação jornalística e acusações federais não equivalem, por si só, a condenação. Contrato adjudicado não é roubo adjudicado. Esta nota não imputa culpabilidade penal.