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2015-04-09 · Economia

Fundos abutre acossam Porto Rico

Em 9 de abril de 2015, o Centro de Periodismo Investigativo (CPI) publicou “Fondos buitre acorralan a Puerto Rico”: firmas de investimento atraídas por crises soberanas (Argentina, Grécia, Espanha) já operavam na ilha. Fontes do setor financeiro disseram ao CPI que entre 40% e 50% da dívida do governo estava sob controlo de fundos de cobertura (hedge funds), de que fazem parte os chamados fundos abutre.

Interessam-lhes, por exemplo, a dívida da AAA — três firmas já compraram quase toda essa dívida —, os GO (garantia constitucional), COFINA, o Sistema de Retiro, o BGF e a ACT. Sergio Marxuach (CNE) explicou que estes fundos buscam bonds e ações de países ou companhias sob pressão de incumprimento; Stephen Albrecht (SEIU) acrescentou que agravam a crise e cobram encargos altos. Na AEE, advertiu Marxuach, podem empurrar reestruturações rápidas ou pedir ativos físicos como garantia.

A SEC não distingue “abutre” de hedge fund; descreve fundos especulativos com menos regulação federal, abertos a “investidores acreditados”. Estratégias citadas incluem short selling. Juan Pablo Bohoslavsky (especialista ONU sobre dívida externa) disse que obstaculizam saldar dívidas e atentam contra direitos humanos.

Atraiu a emissão de $3.5 billion de 11 de março de 2014 — Bank of America Merrill Lynch chamou-a a maior e mais cara transação de junk bonds municipais — com rendimento real isento de impostos de 8.727%. Firmas como Paulson & Company, Och-Ziff, Fir Tree, Perry Capital e Brigade compraram cada uma mais de $100 million dessa emissão; o CPI lista dezenas mais (Third Point, Appaloosa, Farallon, Avenue, Knighthead, Blue Mountain, etc.). Melba Acosta (então Hacienda / depois BGF) falou em alargar a base de investidores para compradores de dívida soberana e em contratar ex-FMI e o analista Todd Hagerman.

O CPI sublinha que o governo opera às cegas sobre quem possui os bonds no mercado secundário. Marxuach: os abutre costumam comprar barato aí para reestruturar ou revender. Uma nova emissão ponderava-se para abril–maio 2015, complicada por reforma contributiva, AEE e baixa nas arrecadações. Posse de dívida ≠ roubo; litígio argentino (Griesa) cita-se como precedente de pressão, não como sentença local. Cousin: 578.