Borinquen Made

Voltar ao sumário

1975-01-01

Tibes, Ponce

Tibes é um bairro de Ponce, no lado sul da ilha, onde o rio Portugués deixa as lomas. Em 1975, depois da depressão tropical Eloísa e da cheia desse rio, um dos sítios cerimoniais indígenas mais antigos do Caribe voltou à vista. A EnciclopediaPR registra doze estruturas de pedra — praças, bateyes e passagens — das quais nove foram restauradas. O parque municipal que seguiu não é uma aldeia temática. É um centro arqueológico com museu, uma praça principal e o próprio terreno.

Os primeiros povoadores aqui foram saladoides arawacos, assim chamados por Saladero, no que hoje é o norte da Venezuela. A maior parte dos restos analisados em Tibes pertence a uma etapa saladoide entre mais ou menos 400 e 600 da Era Comum. Um segundo assentamento, argumentou o arqueólogo Luis Antonio Curet, cai entre 900 e 1200, ligado à cultura ostionoide, ou pré-taína, descrita primeiro em Punta Ostiones, Cabo Rojo. Por volta de 1100 tomava forma uma sociedade hierárquica de caciques, behiques (curandeiros), nitaínos e naborías. Por volta de 1270 Tibes havia sido abandonado. Os povoados taínos posteriores, incluída Caguana, pertencem a esse mundo mais tardio.

O sítio se usou como centro cerimonial e como observatório astronômico. Isso não é um slogan turístico. Têm-se estudado alinhamentos de praças e pedras como modos de olhar o céu. Também se achou um grande cemitério. A Sociedad Guaynia de Arqueología e Historia levantou o lugar depois da cheia; o Município de Ponce comprou o terreno para conservá-lo. O Instituto de Cultura Puertorriqueña de Ricardo Alegría, fundado em 1955, está ao fundo dessa arqueologia pública, como está em Caguana.

Tibes e Caguana não são a mesma cancha. Uma é mais cedo e sulina; a outra é um marco interior tardio. Juntas destroem o costume de tratar a vida taína como um só momento desaparecido. A gente construiu, foi-se e voltou a construir. A cheia de 1975 não inventou Tibes. Só arrancou o solo que havia ocultado uma praça já de séculos. O parque municipal de Ponce é como uma cidade escolheu manter esse terreno público em vez de deixar que outra cheia, ou outro dono, o fechasse.

Fontes: EnciclopediaPR, Centro Ceremonial Indígena de Tibes, Ponce. Congelado 2026-08-22.