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2014-02-24 · Economia

CPI: Stiglitz — ilegítimas as casas que rebaixaram os bonds

Em 24 de fevereiro de 2014, o Centro de Periodismo Investigativo (CPI) entrevistou o economista Joseph Stiglitz —Prémio Nobel de Economia 2001— durante a sua visita a Porto Rico como orador oficial da Conferência Anual do Centro para una Nueva Economía (CNE). Tema imediato: as casas de rating que tinham rebaixado os bonds do governo de Porto Rico.

Stiglitz sustentou que essas agências “não têm legitimidade para influir na economia” pela corrupção que exibiram. Após a crise das subprime de 2008 —quando Standard & Poor’s deu alta classificação a hipotecas lixo e a instituições como Lehman Brothers, que acabou em falência— “eu teria pensado que estariam totalmente desacreditadas, a sua habilidade para classificar deveria estar desqualificada”, disse ao CPI.

Explicou a dependência nas agências como atalho face à informação assimétrica: muita gente não investiga por si, “assim que se queres uma resposta fácil… vais às casas de rating. As agências de crédito foram corruptas, não sabemos se ainda o são. Mas temos documentação real da corrupção das agências de crédito”.

Também notou “muito pouca resposta do mercado” à degradação dos bonds de Porto Rico. Uma leitura possível: “não era notícia nova” —que as casas digam ‘não o estás a fazer bem’ não diz a ninguém nada que já não soubessem. No Hotel Vanderbilt (Condado) falou ainda de desigualdade —metáfora do 1% do seu livro O preço da desigualdade— e de economia do conhecimento perante empresários, estudantes e organizações cívicas.

Stiglitz foi presidente do Conselho de Conselheiros Económicos sob Clinton e economista-chefe do Banco Mundial. Sergio Marxuach (CNE) advertiu que essa economia do conhecimento não funciona em sociedades fechadas, pouco transparentes e clientelares. Crítica a agências ≠ sentença judicial. Degradação ≠ roubo. Cousin: 589 (ENDI S&P junk). Primária: CPI 2014-02-24.

Fonte: Centro de Periodismo Investigativo. https://periodismoinvestigativo.com/2014/02/ilegitimas-las-casas-acreditadoras-que-degradaron-bonos-de-la-isla-dice-stiglitz/